No segundo ano do rei Dario, no sétimo
mês, ao vigésimo primeiro do mês, veio a palavra do Senhor por
intermédio do profeta Ageu, dizendo: Fala, agora, a Zorobabel, filho
de Salatiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo
sacerdote, e ao resto do povo, dizendo: Quem dentre vós, que tenha
sobrevivido, contemplou esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora?
Não é ela como nada aos vossos olhos? Ora, pois, sê forte,
Zorobabel, diz o Senhor, e sê forte, Josué, filho de Jozadaque, o sumo
sacerdote, e tu, todo o povo da terra, sê forte, diz o Senhor, e
trabalhai, porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos; segundo
a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito
habita no meio de vós; não temais. Ageu 2.1-5
Após a repreensão do Senhor pela omissão
e negligência do povo, este foi despertado à ação. A negligência foi
substituída por um espírito de diligência e a omissão foi substituída por um
desejo de excelência para com as coisas pertencentes ao Senhor. É importante
notar que estas passagens têm uma relação direta com o livro de Esdras,
capítulo 5, versos 1 e 2, segundo o qual afirma que “os profetas Ageu e
Zacarias, filho de Ido, profetizaram aos judeus que estavam em Judá e em
Jerusalém, em nome do Deus de Israel, cujo Espírito estava com eles. Então,
se dispuseram Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesua, filho de Jozadaque, e
começaram a edificar a Casa de Deus, a qual está em Jerusalém; e, com eles, os
referidos profetas de Deus, que os ajudavam.”
Não obstante, há um breve episódio,
relatado tanto no livro de Esdras quanto aqui no livro de Ageu, em que aqueles
que viram o primeiro templo, construído por Salomão, se emocionaram ao ver o
novo templo construído. Provavelmente se tratava de pessoas muito idosas se
levarmos em consideração o tempo da memória de uma pessoa e os anos em que
viveram exiladas na Babilônia. Foram pessoas que passaram por muitas
circunstâncias difíceis: Perda da família, destruição da cidade, exílio e volta
para casa. Se refletirmos bem, aquele choro seria bem compreensível.
Como não se emocionar vendo a
restauração de uma coisa muito importante para eles. Seria como que tivessem as
suas vidas, suas juventudes, seus tempos áureos de volta. A propósito, parece
que grande parte do saudosismo daquelas pessoas não estaria concentrada em
ações objetivas que não fazem parte mais do cotidiano de um idoso, mas o tempo
de juventude e vigor com que eles faziam aquelas coisas. Assim, parece que o
saudosismo está intimamente relacionado à falta de propósito que alguém de
certa idade acredita que esteja faltando.
Entretanto, parece que o saudosismo não
é muito apreciado pelo Senhor. A Bíblia nos ensina um preceito importante em
Eclesiastes 7.10: “Jamais digas: Por que foram os dias passados melhores do que
estes? Pois não é sábio perguntar assim.” No livro de Esdras 3.11-12, o choro
dos antigos é um contraponto à alegria do restante do povo. Aqui também, nesta
passagem do livro de Ageu, parece que a despeito do enorme esforço em se
construir o novo templo, o saudosismo dos antigos o olhavam com certo tom de
desprezo, pois o comparava com o templo antigo, construído por Salomão.
Porém, o Senhor envia uma Palavra a
Zorobabel para encorajá-lo a não aplicar ao coração o desprezo que o saudosismo
vicioso por parte de um grupo do povo. O Senhor o encoraja para mostrar que o
mesmo Deus que operava maravilhas no passado também estava hoje presente para
operar maravilhas. A propósito, este é um grande problema em exaltar o passado
em detrimento ao presente. No fundo, a mensagem que se passa é a de que Deus
não opera mais sinais e maravilhas, ou bem pela incredulidade maior do povo, ou
bem pela sensação de que Deus não mais quer abençoar. Porém, mesmo se a
primeira alternativa for verdadeira, isso mostra que Deus não dá mais
testemunho de si, o que faria o povo esfriar em sua fé.
Assim sendo, há uma necessidade em não
ficarmos focados no passado, mesmo que tenha sido muito bom, e nos atentarmos e
concentrarmos os nossos esforços e propósito no presente. O passado nos ensina,
mas o tempo que se chama hoje é o milagre de Deus em nossa vida, nos
proporcionando novas oportunidades de servi-lo. Portanto, o presente é o
milagre de Deus para nos fazer avançar e termos mais experiências com Ele.
Com efeito, nem Zorobabel, nem o povo
teriam a necessidade de ficarem alarmados ou frustrados, pois o Senhor mesmo
estaria com eles e os dariam vitórias. Tão somente eles deveriam ser fortes e
corajosos em sua missão e empreendimento. Da mesma forma, cada um de nós
devemos ser fortes e corajosos, olhando sempre para frente e oferecendo o nosso
melhor, pois o nosso melhor sempre será recompensado por Deus.
Portanto, deixemos as coisas boas e más
que ficaram no passado e sigamos avante em nosso tempo para que sejamos em tudo
abençoados pelo Senhor.