quarta-feira, 26 de março de 2025 0 comments

 

 No segundo ano do rei Dario, no sétimo mês, ao vigésimo primeiro do mês, veio a palavra do Senhor por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Fala, agora, a Zorobabel, filho de Salatiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e ao resto do povo, dizendo: Quem dentre vós, que tenha sobrevivido, contemplou esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é ela como nada aos vossos olhos? Ora, pois, sê forte, Zorobabel, diz o Senhor, e sê forte, Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e tu, todo o povo da terra, sê forte, diz o Senhor, e trabalhai, porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos; segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito habita no meio de vós; não temais. Ageu 2.1-5

Após a repreensão do Senhor pela omissão e negligência do povo, este foi despertado à ação. A negligência foi substituída por um espírito de diligência e a omissão foi substituída por um desejo de excelência para com as coisas pertencentes ao Senhor. É importante notar que estas passagens têm uma relação direta com o livro de Esdras, capítulo 5, versos 1 e 2, segundo o qual afirma que “os profetas Ageu e Zacarias, filho de Ido, profetizaram aos judeus que estavam em Judá e em Jerusalém, em nome do Deus de Israel, cujo Espírito estava com eles. Então, se dispuseram Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesua, filho de Jozadaque, e começaram a edificar a Casa de Deus, a qual está em Jerusalém; e, com eles, os referidos profetas de Deus, que os ajudavam.”

Não obstante, há um breve episódio, relatado tanto no livro de Esdras quanto aqui no livro de Ageu, em que aqueles que viram o primeiro templo, construído por Salomão, se emocionaram ao ver o novo templo construído. Provavelmente se tratava de pessoas muito idosas se levarmos em consideração o tempo da memória de uma pessoa e os anos em que viveram exiladas na Babilônia. Foram pessoas que passaram por muitas circunstâncias difíceis: Perda da família, destruição da cidade, exílio e volta para casa. Se refletirmos bem, aquele choro seria bem compreensível.

Como não se emocionar vendo a restauração de uma coisa muito importante para eles. Seria como que tivessem as suas vidas, suas juventudes, seus tempos áureos de volta. A propósito, parece que grande parte do saudosismo daquelas pessoas não estaria concentrada em ações objetivas que não fazem parte mais do cotidiano de um idoso, mas o tempo de juventude e vigor com que eles faziam aquelas coisas. Assim, parece que o saudosismo está intimamente relacionado à falta de propósito que alguém de certa idade acredita que esteja faltando.

Entretanto, parece que o saudosismo não é muito apreciado pelo Senhor. A Bíblia nos ensina um preceito importante em Eclesiastes 7.10: “Jamais digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Pois não é sábio perguntar assim.” No livro de Esdras 3.11-12, o choro dos antigos é um contraponto à alegria do restante do povo. Aqui também, nesta passagem do livro de Ageu, parece que a despeito do enorme esforço em se construir o novo templo, o saudosismo dos antigos o olhavam com certo tom de desprezo, pois o comparava com o templo antigo, construído por Salomão.

Porém, o Senhor envia uma Palavra a Zorobabel para encorajá-lo a não aplicar ao coração o desprezo que o saudosismo vicioso por parte de um grupo do povo. O Senhor o encoraja para mostrar que o mesmo Deus que operava maravilhas no passado também estava hoje presente para operar maravilhas. A propósito, este é um grande problema em exaltar o passado em detrimento ao presente. No fundo, a mensagem que se passa é a de que Deus não opera mais sinais e maravilhas, ou bem pela incredulidade maior do povo, ou bem pela sensação de que Deus não mais quer abençoar. Porém, mesmo se a primeira alternativa for verdadeira, isso mostra que Deus não dá mais testemunho de si, o que faria o povo esfriar em sua fé.

 Assim sendo, há uma necessidade em não ficarmos focados no passado, mesmo que tenha sido muito bom, e nos atentarmos e concentrarmos os nossos esforços e propósito no presente. O passado nos ensina, mas o tempo que se chama hoje é o milagre de Deus em nossa vida, nos proporcionando novas oportunidades de servi-lo. Portanto, o presente é o milagre de Deus para nos fazer avançar e termos mais experiências com Ele.

Com efeito, nem Zorobabel, nem o povo teriam a necessidade de ficarem alarmados ou frustrados, pois o Senhor mesmo estaria com eles e os dariam vitórias. Tão somente eles deveriam ser fortes e corajosos em sua missão e empreendimento. Da mesma forma, cada um de nós devemos ser fortes e corajosos, olhando sempre para frente e oferecendo o nosso melhor, pois o nosso melhor sempre será recompensado por Deus.

Portanto, deixemos as coisas boas e más que ficaram no passado e sigamos avante em nosso tempo para que sejamos em tudo abençoados pelo Senhor.  

 

 

sexta-feira, 21 de março de 2025 0 comments

 

Então, Zorobabel, filho de Salatiel, e Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e todo o resto do povo atenderam à voz do Senhor, seu Deus, e às palavras do profeta Ageu, as quais o Senhor, seu Deus, o tinha mandado dizer; e o povo temeu diante do Senhor. Então, Ageu, o enviado do Senhor, falou ao povo, segundo a mensagem do Senhor, dizendo: Eu sou convosco, diz o Senhor. O Senhor despertou o espírito de Zorobabel, filho de Salatiel, governador de Judá, e o espírito de Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e o espírito do resto de todo o povo; eles vieram e se puseram ao trabalho na Casa do Senhor dos Exércitos, seu Deus, ao vigésimo quarto dia do sexto mês. Ageu 1.12-15

O livro do profeta Ageu nos ensina sobre um elemento fundamental para a adoração à Deus. Esse elemento é a motivação; o espírito totalmente centrado em Deus entronizado em nosso coração. Jesus ensinou à mulher samaritana que a verdadeira adoração ao Senhor não estava circunscrita necessariamente a uma forma, mas a uma motivação que por ele foi expressa nas palavras Espírito e verdade. Assim, somente motivados pelo Espírito Santo conseguiremos adorar ao Senhor verdadeiramente.

Com efeito, qual seria a melhor forma de adorarmos a Deus? Temos a resposta no Evangelho de João, no capítulo quatro: em “Espírito e em Verdade”. Isso quer dizer que não existe uma forma objetiva, mas, sim, uma motivação para a adoração a Deus. Quando o Senhor é a prioridade, faremos sempre o nosso melhor ainda que com o pouco. E é isso que Deus se importa: Não com o pouco ou o muito, mas com o melhor! Essa é a chave da adoração em Espírito e em verdade e a raiz da mensagem do profeta Ageu. O melhor daquele povo não estava sendo direcionado a Deus, mas a eles mesmos. O egoísmo deles falava mais alto do que as expressões de adoração.

Porém, após esse pecado ser denunciado pelo profeta, o povo se despertou. Esse despertamento provocou uma mudança de mente e de atitude nos líderes e em todo o povo. Assim aprendemos uma grande lição. Toda mudança começa na mente. Ninguém muda de verdade apenas obedecendo a comandos. Uma pessoa pode obedecer a comandos, sem, contudo, realmente acreditar naquilo que se está fazendo. Assim, quando mudamos a nossa forma de pensar e a nossa visão sobre determinada coisa, aí sim redirecionaremos nossa rota de ações.

Isso fica evidente na passagem desta reflexão. O texto mostra que o povo atendeu a ordem de Deus dada por meio do profeta Ageu. A mente do povo e de seus líderes não mudadas de tal maneira que, ao contrário do estágio anterior onde o povo não dava verdadeira importância às coisas pertencentes a Deus, o texto agora nos informa que o povo temeu ao Senhor. Esta atitude não é outra coisa senão uma mudança significativa de mente e um avivamento espiritual. Por meio do ofício profético de Ageu, o povo experimentou um renovo espiritual.

Com efeito, isso revela algo importante sobre a nossa missão enquanto igreja. nós nunca podemos perder nossa missão como voz profética para a sociedade. Temos a missão de sermos o “tempero” da sociedade, denunciando o pecado e apontando o caminho para o arrependimento. Podemos ver isso claramente nesta passagem. O profeta Ageu tinha uma missão importante: Revelar o descontentamento de Deus sobre o pecado do relaxamento espiritual do povo. Ele tinha de falar isso para o povo a partir da liderança política e a liderança religiosa e ele não deixou de cumprir a missão. Não se vendeu e não esmoreceu em denunciar o pecado, tornando “o enviado do Senhor.” Em outras versões, está escrito o “embaixador do Senhor.” Nunca podemos perder de vista a nossa missão profética. Jamais podemos transigir entre sermos embaixadores do Senhor e pessoas amigas do erro. Sem dúvida, há uma tentação constante em cedermos às pressões de nos aliarmos ao mau, mas a nossa missão é mais nobre e sublime, por isso, é melhor sermos embaixadores do Senhor, do que estarmos alinhados àquilo que é mau.

Com efeito, quando a igreja perde a sua missão profética, ela perde a sua relevância. Não é incomum vermos isso na sociedade. Jesus ensinou que se o sal não salgar, para nada mais presta senão para ser pisado pelos homens. O profeta Ageu cumpriu sua missão e promoveu um grande avivamento no meio do povo de Deus e dos seus líderes. Assim, eles tiveram seu ânimo despertado para o término da construção da Casa do Senhor.

Notemos aqui um detalhe importante: A casa começa a ser reconstruída depois que o pecado é denunciado. Após isso, o ânimo é recobrado e o resultado aparece. Agora temos aqui uma atitude diferente da primeira. O pecado direcionava o povo ao egoísmo; eles buscavam o melhor para si e a fonte da sua motivação era essa. Depois da mudança de mente, eles redirecionaram seu ânimo para com as coisas de Deus. Aprendemos, portanto, que o pecado sempre nos afastará de desejar estar e trabalhar na obra do Senhor, mas o arrependimento nos fará inclinar sempre ao Senhor e a sua Obra.

  

quarta-feira, 19 de março de 2025 0 comments

 

Veio, pois, a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Acaso, é tempo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas? Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai o vosso passado. Tendes semeado muito e recolhido pouco; comeis, mas não chega para fartar-vos; bebeis, mas não dá para saciar-vos; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para pô-lo num saquitel furado. Ageu 1.3-6

Nos versículos iniciais do livro do Profeta Ageu, podemos perceber a distinção entre o tempo de Deus e como ele age nesse tempo, encorajando, exortando, consolando, repreendendo. Podemos ver também que Ele nunca deixou de dar testemunho de si mesmo, de modo que o povo não poderia justificar seus pecados por conta de uma eventual falta de comunicação divina. Ele age no tempo, interferindo nas ações humanas.

Por outro lado, o povo, para justificar a sua falta de compromisso e zelo para com as coisas concernentes aos Senhor, tentava justificar seu pecado por meio de argumentos teológicos: “não é o tempo de Deus para construir esta casa.” Que desculpa perfeita! Não é novo querermos espiritualizar nossos erros e pecados para tentar até enganar a nós mesmos. Aprendemos, assim, com os dois primeiros versos deste livro profético que não devemos espiritualizar ou tentar justificar as nossas falhas e pecados sob o manto da espiritualidade.

Com efeito, a falsa espiritualidade não produz resultado na alma. O pecado sempre traz consequências, mesmo que tentemos achar desculpas para justificá-lo. A verdade é que o povo não tinha contentamento. Este é um efeito típico daqueles que insistem em continuar com as práticas pecaminosas: a falta de contentamento. Elas nunca estão satisfeitas, pois o pecado produz angústia, e a angústia produz ansiedade. O fato deles criarem subterfúgios para tentar aplacar a culpa em seus corações não foi suficiente para realmente viverem em paz.

Por sua vez, o profeta Ageu expõe de forma clara o pecado do povo com uma pergunta retórica: Se não é o tempo do cuidado com a casa de Deus, acaso, seria tempo de habitarem em casas luxuosas? Com essa pergunta, o profeta tinha intenções. A primeira delas era mostrar que aquele povo era egocêntrico e não colocava de fato as coisas do Senhor como prioridade na vida, eles não davam a mínima para o capricho com as coisas do Senhor. Em segundo lugar, as prioridades do povo estavam equivocadas. Isto é um grande problema. Quando o Senhor não é a prioridade, certamente a prioridade será equivocada. Ora, alguém poderia alegar que sua casa era bonita para melhor servir a sua família. Por si só, esse argumento não é mau, pois, cuidar da nossa família é algo bom, mas não deve ser maior do que o nosso amor a Deus. A questão era: Por que cuidavam exclusivamente de si mesmos e desprezavam com suas atitudes as coisas do Senhor?

Como podemos perceber no texto, o resultado dessa atitude do coração foi a falta de contentamento em seus corações. Muitas vezes não entendemos o motivo de apesar de termos uma boa família, gostarmos da nossa vida, termos bons amigos e ainda gostarmos da igreja onde congregamos, estamos sempre com uma sensação de que falta alguma coisa. Camuflamos esse sentimento com a expressão “sempre se pode melhorar”, que apesar de ser verdadeira, pode apenas também camuflar uma insatisfação contínua em nosso coração.

Eles depositavam seu contentamento em um saco furado, pois o Senhor não era a fonte do seu contentamento, isso era evidente por conta das atitudes em não dar importância para com as coisas do Senhor. Como veremos, o descaso com término do templo era o resultado da atitude do coração. Com isso, devemos nos perguntar: O que Deus representa verdadeiramente para nós? Estamos realmente dispostos a renunciar tudo, o prazer, o descanso, os bens, as vaidades, pelo Senhor? Uma vida equilibrada consiste em priorizar e descansar em Deus e viver os resultados dessa ação na vida. Para aquele povo, não era o momento de descansar e folgar, mas de lutar e produzir em Deus e para Deus.

Por fim, há uma frase nesta passagem que nos chama à atenção. Essa frase aparece também em outros momentos do livro como que chamando à atenção do povo a refletir: “considerai os vossos caminhos.” Precisamos nos avaliar sinceramente. O que nos motiva a servir ao Senhor? Seria exercer o poder sobre os outros? Seria o desejo se ser sempre lisonjeado? Seria ainda mostrar uma espiritualidade que, apesar de bonita é vazia de sentido? Consideremos também o nosso caminho sobre onde erramos como povo de Deus? Uma igreja nunca acerta somente, mas erra também. Ela pode errar em suas estratégias e em suas motivações equivocadas. Por isso, o apelo do profeta vale para nós também. Consideremos o nosso caminho e consertemos com humildade os equívocos do passado.

terça-feira, 18 de março de 2025 0 comments

 

No segundo ano do rei Dario, no sexto mês, no primeiro dia do mês, veio a palavra do SENHOR, por intermédio do profeta Ageu, a Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, dizendo:Assim fala o Senhor dos Exércitos, dizendo: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a casa do Senhor deve ser edificada. Ageu 1.1-2

Os livros dos profetas menores contêm preciosas lições para a nossa vida. Seus ensinamentos, por mais distantes que possam parecer com o tempo em que vivemos, são mais atuais do que imaginamos e podemos aprender muito sobre o nosso relacionamento com Deus e sobre praticar a justiça em nossas relações com as outras pessoas. O livro também nos ensina sobre o quão próximo estão os resultados positivos sobre os nossos empreendimentos quando valorizamos e priorizamos as coisas espirituais e eternas. A propósito, isso está bem evidente neste livro.

Ageu é chamado pelos estudiosos de “profeta do templo.” Ele viveu entre os cativos da Babilônia e voltou para Jerusalém sob a liderança de Neemias, Zorobabel, um descendente do Rei Davi e, portanto, da casa real de Judá, e Josué, o sumo sacerdote naquele tempo. Ele profetizou também no tempo de Esdras, o escriba, e de Neemias, responsável por liderar e edificar os muros de Jerusalém. Seu ministério deve ter acontecido entre os anos 520-530 a.C.

Assim, logo os dois os primeiros versículos destas passagens já nos mostram lições importantes para a nossa reflexão. O texto diz que em um determinado tempo na terra, veio a palavra do Senhor. Essa expressão, típica dos escritos proféticos mostram que Deus nunca deixou de dar testemunho de si mesmo. Naquele tempo específico, houve uma manifestação da parte de Deus que usou como seu instrumento o profeta Ageu. Isso é muito importante, pois mostra que o Senhor se importa com as nossas ações e intenções nesta vida. A teologia chama esse fenômeno de imanência de Deus, pois ainda que ele esteja muito acima da nossa compreensão, ele se importa com a sua criação, com cada um de nós e nos oferece direção por meio da sua Palavra. Ageu, cujo significado do nome é “celebrado”, ou “nascido em um dia de festa”, por sua vez, era o portador do oráculo de Deus para com aquele povo.

Mas a Palavra a ser comunicada ao povo não era muito agradável. Ele teria de ser instrumento de Deus para apontar o pecado e indicar o caminho, também dado por Deus, para a santificação do povo. Isso era uma tarefa difícil, pois as pessoas em geral não gostam muito de serem corrigidas e exortadas. Apesar de a Bíblia ensinar que quando um sábio é corrigido ele agradece e se torna mais sábio, em geral, as pessoas carecem de sabedoria para desejarem crescer. Por esta razão, os escritos proféticos sempre possuem um certo “tom grave”, como são as repreensões em geral. Este é o nosso sentimento diante das exortações do Senhor. Pode-se dizer também que a própria palavra “peso”, usada em Naum, Habacuque e Malaquias também nos indica um sentimento severo.

Não obstante, o verso dois nos informa que havia uma difusão entre os que voltaram de Jerusalém de que ainda não havia chegado o tempo em que a casa do Senhor deveria ser edificada. Essa expressão, em um primeiro momento, poderia ser interpretada como um gesto de grande piedade e paciência do povo, aguardando a manifestação e permissão do Senhor e providenciando os recursos para que eles pudessem, enfim, construir o templo. Assim, esta compreensão corrente entre o povo poderia significar que Deus os legitimava buscar seus próprios fins, mesmo que isso custasse preterir a reconstrução do templo. Mas, como veremos em todo o livro esta expressão nada mais era do que uma falsa justificativa sob o verniz da espiritualidade.

Ora, quantas vezes somos tentados a proferir e viver mentiras com o manto da espiritualidade. O povo tentava justificar o seu desprezo pela obra de Deus, tendo por base o próprio Deus. Que hipocrisia terrível é justificar a própria preguiça e o comodismo espiritual com aquilo que chamamos de tempo de Deus. A propósito, essa expressão também é muitas vezes usada para outros fins escusos, mas o seu propósito verdadeiro está no primeiro versículo, segundo o qual, em seu tempo, Deus interfere na história para exortar, encorajar, julgar e destruir as ações ruins dos homens.

Assim, devemos ter o cuidado de não queremos justificar com desculpas espirituais os nossos pecados. Isso é um tipo de hipocrisia. Alguém poderia realmente achar que o Senhor não desejaria um povo totalmente comprometido com a sua obra? Lembremos quando Davi também votou em seu coração construir um templo. Deus permitiu a sua construção e ainda recompensou a Davi firmando o seu reino, apesar de não ter permitido ao rei que este o construísse, mas sim seu filho. Deus quer que sua obra prospere. Portanto, confessemos o pecado de muitas vezes espiritualizamos as nossas mentiras.   

quinta-feira, 13 de março de 2025 0 comments

 

 Assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai o vosso passado. Subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa; dela me agradarei e serei glorificado, diz o Senhor. Esperastes o muito, e eis que veio a ser pouco, e esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu com um assopro o dissipei. Por quê? — diz o Senhor dos Exércitos; por causa da minha casa, que permanece em ruínas, ao passo que cada um de vós corre por causa de sua própria casa. Por isso, os céus sobre vós retêm o seu orvalho, e a terra, os seus frutos. Fiz vir a seca sobre a terra e sobre os montes; sobre o cereal, sobre o vinho, sobre o azeite e sobre o que a terra produz, como também sobre os homens, sobre os animais e sobre todo trabalho das mãos. Ageu 1.7-11

Nesta reflexão sobre o livro do Profeta Ageu, podemos aprender lições preciosas para a nossa vida. O profeta viveu em um tempo de grandes mudanças. O povo de Deus, depois de passar 70 anos exilado na Babilônia, teve a permissão de voltar à sua terra e construir a cidade, os muros, e seu lugar de adoração. Grandes homens foram convocados por Deus para esse empreendimento. Zorobabel, Neemias, Esdras e Josué, o Sumo sacerdote, são os mais conhecidos. Mas como vimos, o tempo passou e todo aquele ânimo e comprometimento com a missão esfriou no coração do povo. De fato, o teste do tempo é duro e muitas vezes as pessoas não conseguem perseverar no ânimo em seus empreendimentos.

Além do mais, com o tempo, outras prioridades passaram a tomar conta do coração do povo. Aquela pureza de intenções, tão caracterizadas nos escritos de Neemias e Esdras, se perdeu e o povo estava muito voltado aos seus próprios interesses particulares. Nesse estado de coisas, Deus levanta o profeta Ageu para denunciar os pecados do povo e restaurar a pureza de intenções. Por sua vez, o profeta mostra que a falta de sucesso do povo em seus empreendimentos estava intimamente ligada à falta de comprometimento com Deus.

Isto é muito interessante, ainda mais nesse tempo em que estamos vivendo, pois ouvimos com relativa frequência através dos assim chamados gurus da produtividade sadia, sobre a importância de se estar bem espiritualmente e bem consigo mesmo para ser eficiente e eficaz no trabalho. Certamente, para esses especialistas, o problema da baixa performance do povo estaria relacionado à falta de uma espiritualidade sadia.

Não obstante, o profeta Ageu vai além. O fracasso do povo não somente era resultado do afastamento de Deus, mas era promovido pelo próprio Senhor por conta desse afastamento. Isso nos mostra o quanto as ações que fazemos na terra estão intimamente ligados àquilo que o céu determina. Jesus afirmou que o que ligamos na terra, é ligado no céu e o que desligamos na terra é desligado no céu. Assim, o céu e a terra estão ligados e nossas ações são resultado da influência do céu.

Por esta razão, o profeta encoraja o povo a não continuar com a sua atitude indiferente ao céu, mas deveriam reconhecer o seu erro e começar a mudança de mente. O profeta orienta mais uma vez ao povo para considerar o seu passado, isto é, considerar que a presença de Deus sempre foi o motivo do seu sucesso e, com esta convicção em mente, começar a juntar os materiais para edificar a casa de Deus. Um fato curioso, o templo a ser reconstruído não era grande e luxuoso como o que séculos antes Salomão construíra. O empreendimento não era grande, mas era nobre. Aprendamos isso: Não são as coisas grandes que trazem contentamento, mas, sim, as coisas nobres.

Desse modo, o povo teria de mudar a sua mente e direcionar sua prioridade nas coisas do Senhor. Diante disso, devemos considerar o nosso caminho. O quanto temos investido o nosso tempo e recurso na obra de Deus? Trazei a madeira e edificai a casa, é a ordem do Senhor. O povo estava usando a madeira para edificar os seus próprios edifícios e, assim, investindo recurso e tempo em seus interesses egoístas, mas a direção de Deus por meio do profeta era usar os recursos naquilo que tinha valores eternos.

Quando não investimos nossa vida e nossos recursos naquilo que tem valor eterno sempre teremos a sensação de fracasso. Esperaremos muito, mas virá pouco, pois é a bênção do Senhor que enriquece e não acrescenta dores. Assim, quando o nosso propósito não está firmado em Deus, acreditamos que a nossa própria força conseguirá o resultado esperado, mas sempre seremos frustrados. Esperaremos muito, mas virá sempre pouco, pois as nossas intenções não são puras diante do Senhor.

Aqui cabe uma reflexão. Por que muitas vezes parece que os nossos empreendimentos e até mesmo naquilo que fazemos para o Senho não dão muito certo? O que o texto aqui nos indica é que quando nossas intenções não são puras e nossa prioridade não é agradar ao Senhor o resultado será sempre abaixo do esperado.

 

quinta-feira, 26 de maio de 2016 0 comments

O governo de Cristo

“...[O] governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.” Isaías 9.6

Quem, ou o quê governa a sua vida? Podemos perceber que muitas pessoas permitem serem governadas por tiranias das mais diversas formas. Algumas são governadas por um relacionamento pernicioso, ou seja, vivem confinadas a uma pessoa que faz mal ao seu crescimento pessoal, mas nem se dão conta disso; elas vivem inconscientemente tiranizadas pela influência dominadora que aniquila a possibilidade de viver, crescer e de vivenciar novos horizontes existenciais.
Outras pessoas são governadas por coisas. Elas vivem presas a um consumo desenfreado como se a existência se limitasse no mero comprar e usufruir objetos e fazem tudo para ter mais e mais mesmo que, com isso, passe por cima de qualquer um que tente atrapalhar. O anseio por ter e possuir pode ser um senhor muito cruel.
Podemos ainda ver que existem aqueles que não exageradamente dominados pelos seus sonhos. Vivem fantasiando realidades que não existem, ou ainda, vivem em função dos seus sonhos sem se esforçarem para conquistá-los. Existem pessoas que projetam sempre, mas nunca realizam. Ou por não se esforçarem o suficiente, ou por simplesmente estarem presas às suas próprias paixões e desejos.
Quero refletir, porém, sobre a natureza governo de Cristo expresso no verso acima, profetizado pelo profeta Isaías. Primeiramente é importante salientar que partimos do pressuposto da realidade desse governo. Ele é real! O governo de Cristo não é simplesmente uma abstração, uma utopia, um mero discurso religioso, mas sim, algo que nasce no coração daquele que crê e se mostra em ações. O governo de Cristo não está condicionado à nomenclatura religiosa, mas se manifesta a indivíduos que creem e são transformados para agirem e viverem sob esse governo.
O governo de Cristo tem suas características próprias. Por nascer no interior do indivíduo e ser evidenciado por ações externas, as pessoas glorificam a Deus por meio da vida do governado. Suas palavras e ações expressam Deus e por isso será chamado de Maravilhoso Conselheiro. A condução sábia da vida vai expressar nossa identidade no Reino e a presença de Cristo será sentida no modo como enxergamos a vida e o mundo.
O governo de Cristo nos faz forte. Ele é o Deus forte! Não uma força que esmaga, mas uma força que suporta e levanta. Essa força faz ter esperança em meio às lutas e perseguições. O governado por Cristo sabe que no mundo terá aflição, perseguição e afronta pelo simples fato de tentar seguir a esse governo com integridade. Ele sabe que nesse mundo existem vários “reinos” que dominam o coração das pessoas, e que quando esses reinos contrastam com os valores do governo de Cristo, os conflitos serão inevitáveis. Mas a força que traz suporte mostrará o poder de Deus na vida do indivíduo levando seus próprios inimigos a reconhecer nessa força sua natureza sobrenatural.
O governo de Cristo também produz o sentimento de acolhimento e pertencimento. Todos nós desejamos ter esse sentimento e não existe melhor acolhimento do que o de uma família saudável e feliz, e Deus é o Pai dessa família. Os governados por Cristo reproduzem essa ação no mundo de maneira perene, de modo que os que estão próximos desfrutam dessa ação do Pai da Eternidade por meio da vida e ações daqueles que se tornaram seus filhos por adoção.
Por último, o governo de Cristo produz paz. Não uma forçosa paz, não uma paz pela intimidação, não uma paz como as que são promovidas pelos governos desse mundo, mas uma paz individual que excede todo o nosso entendimento. Os governados por Cristo vivem e expressam essa paz e, assim, são pacificadores onde estão. Não é sem razão que Jesus afirmou que os pacificadores serão chamados filhos de Deus. Quem se submete a esse governo é um agente da paz.
Todos os elementos elencados acima acerca da natureza do governo de Cristo e as implicações suas  implicações expressam ainda um último ponto que desejo destacar. O governo de Cristo é um governo de liberdade. Em última análise, o governado não está subordinado a nada que o vicie ou o aprisione. Nem os falsos amigos ou conselheiros, nem dores ou angústias, nem a falta de pertencimento ou até mesmo a falta de paz. O governado por Cristo é livre em suas ações e age por meio dessa liberdade. Não é sem razão que o próprio Jesus revelou “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.


Pr. Alonso Colares Júnior
terça-feira, 27 de janeiro de 2015 0 comments

A Lei de Cristo

Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. Gálatas 6:2

Os efeitos da verdadeira piedade são sentidos na vida daqueles que professam o senhorio de Cristo. O apóstolo Paulo nesse texto acima exposto faz uma crítica aos gálatas pela sua falsa sensação de piedade por meio do esforço contínuo de justificação pelas obras. Nós, existentes, nunca iremos compreender completamente a natureza da graça, apesar da sua impressionante simplicidade, e desejamos sempre “fazer alguma coisa” para que tentemos suprir esse maravilhoso dom de Deus.

Uma sugestão dada por Paulo é que se desejamos fazer alguma coisa, devemos atentar para a lei de Cristo. A lei de Cristo está intimamente ligada ao próximo. Cumprir a lei de Cristo fará do piedoso uma pessoa melhor, alguém que ouve e respeita a opinião e as diferenças; Ele é alguém que “leva as cargas”, ou seja, a Lei de Cristo não faz do piedoso um idólatra. A Lei de Cristo faz do piedoso um amigo fiel, um conselheiro oportuno, uma pessoa confiável. Tal lei torna o piedoso extremamente relevante e imprescindível onde está. Se você deseja ser assim, cumpra a Lei de Cristo!


Pr. Alonso C. Júnior 
 
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